quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Esses dias


Esses dias confinada, de perna pro ar, graças a uma torção (amanhã faz um mês), tenho pensado em quanto a gente perde tempo e se perde por não saber viver. Por não valorizar o que tem, o que pode, o que se é.
Mais difícil que ficar parada o dia inteiro, que sentir dor e me locomover com dificuldade é ter que depender. Aprendizado difícil esse! Por estranho que pareça, pedir não é fácil. E não é questão de educação, palavras ou etiqueta. Mas pedir porque você precisa de alguém para fazer/dar algo que seria automático de tão rotineiro, e a toda hora é mais cansativo do que fazê-lo.
Coisas simples e muitas vezes ignoradas - como molhar os pés na praia ou finalmente entrar na academia, mil vezes adiada - pode fazer falta, quando você simplesmente não pode, independente se quer ou não.
Sinto falta de tomar banho sem medo de cair, de fazer meu prato, de transportar qualquer coisa de cá pra lá, sem que as muletas derrubem. Sair de casa, trabalhar, encontrar pessoas, ver o mundo, viver.
Daí é que me dou conta:
Como a vida é veloz para nos determos a pequenices, ao invés de sermos mais plenos da Graça.
Como pessoas são tão mais do que as mágoas que causamos.
Como é melhor perdoar, porque pode não haver mais tempo.
Como tudo pode ser mais leve e colorido quando não estamos sós.
Como é bom ser quem somos, ter o que temos e viver como vivemos.




Mineiros


Ontem, vendo no noticiário o início do resgate dos 33 mineiros no Chile, pensei na fragilidade da vida, das limitações e do grande aprendizado que ela nos dá. E me emocionei pela nova chance que eles terão depois que a terra os pariu, com suas dores, aflições, medos, mas uma vontade de viver tão profunda. A ansiedade e a alegria nos olhos daquela criança ao reencontrar o pai, após 68 dias, é algo que não vou esquecer. Imagino que minha mãe e meu pai também tenham me olhado assim, quando nasci.
O mundo parou pra ver e vibrar com o milagre!
A vida e eles, os milagres, acontecem todo dia, graças a Deus!

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