
Hoje acordei de sobressalto. O quarto estava escuro e pouca luz conseguia entrar pela janela. Um estrondo assustador me devolveu a estatura dos seis anos e chamei, repetidamente, pela minha mãe. Até que ela, entrando no meu quarto, carinhosa e apreensiva, aliviou meu coração: “são trovões, filha!”. Fortes trovões, que me tiraram do mundo dos sonhos.
Depois do susto, me levantei e fui ver a chuva. Um pé d’água que afetou, inclusive, o abastecimento de energia da minha cidade. Um temporal. Mas como assim? Hoje é dia 16 de janeiro. Janeiro! Ou seja, pleno Verão!
Mas o barulho que agora ressoava e apertava meu coração vinha de outros ares, que me questionavam a mudança de calor para o frio e queria saber se ainda dava tempo.
Do quarto, eu olhava o dia da minha cor. Há situações que nos levam a aquarela. E eu acordara tão cinza, quanto as nuvens que se desfaziam frente a minha janela.
Não entendo. É verão e a minha vida já estava ganhando as cores fortes e claras da estação. - Mas o que mudou?, mais uma vez bradou o trovão. E eu não tinha todas as respostas e não sabia crer nas que ouvia quando devolvi a pergunta.
Será uma dessas zonas de convergências, que o arrogante Bistrot explicaria com maestria em mais uma entrevista? Não sei. Não sei se o tempo ou o clima, como dividiria em sua correção o veterano meteorologista.
Dentro de mim, lágrimas caíam como a chuva chorosa que perdurou toda a manhã, a tarde e talvez adentre a noite. Uma chuva que lavava e fazia reaparecer flores, encobertas pela poeira e folhas secas. Flores que não perderam o encanto de sua história, apesar do forte calor deste sol nordestino ou californiano. Mas que já não tem a mesma vida. E os espinhos, quem me garante que caíram?!
Meu pai dizia que eu encontraria respostas na tristeza, porque é nela que paira a reflexão. Os dias de chuva são mais tristes, mas eu sempre gostei deste friozinho, do cheiro de terra molhada, do convite à ficar na cama, à brincadeiras para aquecer os pés e aos pensamentos.
- Ainda há tempo? O que mudou? E o que muda com isso? – ecoa em mim ainda.
Passei tanto tempo na chuva. Seis meses. Molhada. Com frio. Sozinha. Apenas dois pés sob os lençóis, apesar da busca insistente para reencontrar os teus. Meu rosto banhado tinha o gosto salgado e a tristeza nada tem com as precipitações da água.
E a chuva continua caindo lá fora. Vou deitar. Ler um livro. Esperar que estas doces lembranças se escoem e se resguardem em um reservatório de luz. Foram momentos mágicos.
Mas é verão.
Apesar do barulho do trovão anunciando as águas após o clarão, é verão! Da minha janela, vou esperar o sol. Afinal, nada mudou. A estação é a mesma. Eu também. E você? Você mudou?
Vou esperar o sol. Quem sabe ele não me aparece em forma de um sorriso. Um largo e lindo sorriso!
Depois do susto, me levantei e fui ver a chuva. Um pé d’água que afetou, inclusive, o abastecimento de energia da minha cidade. Um temporal. Mas como assim? Hoje é dia 16 de janeiro. Janeiro! Ou seja, pleno Verão!
Mas o barulho que agora ressoava e apertava meu coração vinha de outros ares, que me questionavam a mudança de calor para o frio e queria saber se ainda dava tempo.
Do quarto, eu olhava o dia da minha cor. Há situações que nos levam a aquarela. E eu acordara tão cinza, quanto as nuvens que se desfaziam frente a minha janela.
Não entendo. É verão e a minha vida já estava ganhando as cores fortes e claras da estação. - Mas o que mudou?, mais uma vez bradou o trovão. E eu não tinha todas as respostas e não sabia crer nas que ouvia quando devolvi a pergunta.
Será uma dessas zonas de convergências, que o arrogante Bistrot explicaria com maestria em mais uma entrevista? Não sei. Não sei se o tempo ou o clima, como dividiria em sua correção o veterano meteorologista.
Dentro de mim, lágrimas caíam como a chuva chorosa que perdurou toda a manhã, a tarde e talvez adentre a noite. Uma chuva que lavava e fazia reaparecer flores, encobertas pela poeira e folhas secas. Flores que não perderam o encanto de sua história, apesar do forte calor deste sol nordestino ou californiano. Mas que já não tem a mesma vida. E os espinhos, quem me garante que caíram?!
Meu pai dizia que eu encontraria respostas na tristeza, porque é nela que paira a reflexão. Os dias de chuva são mais tristes, mas eu sempre gostei deste friozinho, do cheiro de terra molhada, do convite à ficar na cama, à brincadeiras para aquecer os pés e aos pensamentos.
- Ainda há tempo? O que mudou? E o que muda com isso? – ecoa em mim ainda.
Passei tanto tempo na chuva. Seis meses. Molhada. Com frio. Sozinha. Apenas dois pés sob os lençóis, apesar da busca insistente para reencontrar os teus. Meu rosto banhado tinha o gosto salgado e a tristeza nada tem com as precipitações da água.
E a chuva continua caindo lá fora. Vou deitar. Ler um livro. Esperar que estas doces lembranças se escoem e se resguardem em um reservatório de luz. Foram momentos mágicos.
Mas é verão.
Apesar do barulho do trovão anunciando as águas após o clarão, é verão! Da minha janela, vou esperar o sol. Afinal, nada mudou. A estação é a mesma. Eu também. E você? Você mudou?
Vou esperar o sol. Quem sabe ele não me aparece em forma de um sorriso. Um largo e lindo sorriso!
4 comentários:
A maioria das folhas ainda está em branco... Hj vc sabe que está com todas as cores na sua mão para colorir o que teima em permanecer cinza.
E o sorriso lindo que vc se refere, está bem ali, junto ao sol californiano de Ponta Negra!;)
Sarinha, as cores estão sempre aí, não importa se quentes ou frias. Basta saber de que maneira olhá-las. ;)
bjoca, moça linda! =*
p.s: meu link está errado. rs. o certo é o que está aqui nesse coment, viu? ;)
Amiga, eu acho que por mais alto-verão que seja, sempre há possibilidade de cair uma chuvinha. Isso não faz com que o verão deixe de ser luminoso, claro e alegre. Mas a chuva vem para nos fazer dar valor aos dias ensolarados tb. Né?
Então brindemos a chuva, o calor, o verão e aos dias lindos que ainda virão.
Bjooooooooo.
Algumas vezes, por mais triste e chuvoso que esteja o dia, o sol forte, belo e sorridente permanece dentro de nós. A alegria e a felicidade está dentro de cada um, basta que aprendamos a procurar melhor.
Danilo Sá
Postar um comentário