domingo, 30 de janeiro de 2011

Silêncio

Enxurrada de silêncio arrastando palavras.
Lava calçadas.
Arrasa mundos.
Pedras mudas a se mover.
Fazem ruído de ensurdecer dor.
Desfaz paisagens.
Ficará o que dizer?

Troveja lembranças.
Quebra a esperança o que não foi dito.
Sonhos sendo levados,
bóiam em meio a sacos plásticos.
Perdem a cor.
Socorro que não vem.

Caem tendas, telhados, promessas.
Fecha o céu.
Temporais se calam.
Abre a boca.
Córrego de frases soltas.
Lágrimas escorrem ao largo.
Sentimento de perda.
Palavras – era tudo o que eu tinha.

Cratera divide em dois o pronome.
Interrompe.
Estica os ouvidos para erguer pontes.
Batentes à porta esperam outras inundações.
Pingam gritos anunciando o bom tempo.
Em breve acaba o verão.

Vento no fim da tarde sussurra.
(Este é o som que interessa).
Olhares cochicham.
Segredo.
Silencia em paz.
(Em) siiiiii...

2 comentários:

Anônimo disse...

Silêncio. Um exercício diário. Tão importante quanto trocar os ódios pela indiferença. Ser eloquente: só com quem a gente pode ser. E como são poucos...

Mi disse...

Silêncio é preciosidade nos dias de hoje...
lindo tudo que você escreve. minha escritora favorita. tenho dito.
bjs