sábado, 29 de junho de 2013
Saudade
Há exatos seis anos, São Pedro abria as portas do céu (no dia dele) para receber mais um anjo. "Chegue, Raimundo, estávamos só esperando você pra começar. O Senhor já está ali, ansioso, para te ver", disse empurrando com uma pressa animada aquele portão. E eu imagino ele entrando, num passo lento, com aquele riso fácil no canto da boca, sem fazer cerimônias para abraçar a todos e, logo em seguida, pedir ao sanfoneiro para começar logo a tocar: “Tocaí o rei do baião, menino, que hoje é dia de vida nova”.
E essa chegada tinha que ser em dia de festa e festa das boas, como manda a tradição nordestina, com todas as bandeiras, fogueiras, fogos e banquete típico em homenagem ao pescador São Pedro.
Naquele dia, mesmo com tanta dor, achei graça a coincidência da data. Dia do apóstolo de quem a simplicidade e a graça de Deus me faziam (e fazem) lembrar meu pai. Não houve na cidade quem não fizesse a mesma menção: no dia de Pedro. Porque ele também era nosso alicerce.
E, hoje, quando a saudade ainda se faz maior e mais pesada, eu rezo para que esse meu anjo-protetor lindo continue a se alegrar nessa vida nova de festas. São Pedro, cuida para que a música, a comida e as brincadeiras estejam todas do agrado dele, porque a companhia, sem dúvidas, eu sei que é. Amém.
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