terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Lá vem ele de novo


Eu resolvi que não ia procurar.
Que estaria aqui - linda e morena - para caso ele me aparecesse. Mas sem pressa.
Não iria atrás, deixaria acontecer...

Apesar desta minha mania de achar que o mundo não tem graça sem ele, talvez estivesse com mais medo, do que convicções. Afinal, ele me rendeu de um jeito, que me deixou graves seqüelas. Foi maravilhoso, sim. Mas depois tive que asfixiá-lo, com um grande travesseiro úmido e salgado, e assisti-lo agonizar até o último instante. Pois é, morreu e eu quase fui junto. Até que passou.

Mas quem disse que só temos direito a ele uma vez?
Que mania de achar que o 1º é sempre o maior ou o melhor?!
“O primeiro a gente não esquece”, é clichê do Olivetto em seu genial comercial, que mudou a forma de fazer propaganda e publicidade na década de 80. Ok, ok, a gente vai sempre lembrar. Mas isso não implica que por ser o bambambam. Porque não foi e nem é. O primeiro é só o novo. E tudo que é novo, marca. Ponto.

Quem lançou esta teoria medíocre do 1?
Um... Só isso?
Que mixuruca!
Não concordo. Aliás, tenho aversão a este numeral, em quaisquer dos seus formatos, seja romano ou arábico. Acho que o determinismo do um, o individualismo, este singular egoísta, deveria ser abolido das relações humanas.
Porque, convenhamos, que graça tem em ser, ter, fazer só um?
Já pensou o mundo monocromático? Um monólogo!

Gosto mesmo do plural. Do mais, do cheio, da multidão.
Da hipótese de ver dois ‘Eu’, mesmo tão diferentes, se transformar em ‘Nós’.
Sou nascida em 2 e o tenho como número da sorte. É mais generoso. Até mais graciosa a maleabilidade da curva em seu desenho, do que o rígido 1, sempre tão ereto e altivo. Prefiro o poder de multiplicar, fazer dobrar e depois elevar ao quadrado, do que esta sensação vazia de superação e solidão.

Você vai ter coragem de contrariar a profecia do poeta: “É impossível ser feliz sozinho”? Pois é, nem eu. E por isso sempre é preciso outro. Desde Adão é assim: 1+1=2.
Dois corpos, dois corações, duas mãos se tocando, dois mundos.
Uma matemática que soma momentos e dar a expectativa de one more time. Epa! Uma não, várias vezes. Se até o Amor Maior não é Uno e escolheu ser Trino, por que cargas d’água esta simples mortal deveria se contentar com apenas um?

Realmente não creio que o amor seja distribuído em versão ‘exclusiva’, selada em caixinhas unitárias, como um presente que, por mais raro e lindo, só possa ser trocado uma vez. Porque parar no primeiro? Espero que antes de se aposentar, o publicitário tenha outra brilhante sacada e invista no 2º. Não como seqüência, mas pelo encanto de REconhecer, REencontrar, em outra forma, o que a gente não deve esquecer.

E quando a gente menos espera, lá vem ele de novo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muitos e mais pra vc amiga!

Lu disse...

Eu não te reconheci nesse texto...