Eu só queria dizer que eu te amo. Talvez a última vez. Talvez não. Não sei. Aliás, o que eu menos sei é quando isso vai terminar.
Às vezes sinto sufocar. Como se o que sinto, simplesmente, começasse a se expandir dentro de mim como um gás, que toma conta de tudo, leve e pesado, feito uma aurora boreal, cheia de luzes e cores... e música!
A música que o vento faz quando bate no tubarãozinho, ali, balançando. A música que sai das cordas da tua guitarra e da tua alma pra alegrar meu coração. A nossa trilha sonora, a mistureba de Ed a Seal, djavaneando numa freqüência que é só da gente. O som do carro parando, da tua risada engraçada, do ‘siirrll...delicioso!’ e até aquele barulho insuportável de sugador de dentista.
A música da praia, dos pés apitando na areia, dos risos pós-caldos, dos braços se esquentando. “Pera, vou molhar o pé”. E o tempo parava pra gente ver aquele mar tão grande e tão nosso. Búzios sem você é tão estranha quanto Búzios sem mim. E eu espero. Até quando? Não sei. Sei que não devo, sei que não dá. Mas, espero. Por que? Você também sabe.
Ontem acordei pensando em você, e me arrumei e até alisei meus cabelos (só por sua causa). Eu estava realmente bonita. Recebi todos os elogios, exceto um. O único que fez falta e faria valer a pena ter levantado às 5h50.
Às vezes, desejo apenas mais uma das inúmeras sessões de filmes & pipocacocacolacomchocolate, e tanto faz se em casa ou no cinema, mais uma vez, eu iria derramar tudo. “Desastrada”.
Mais uma ida ao Ponto de Partida.
Mais um Dia do Tubarão Branco.
Fazer cócegas nos pés, apertar a orelha, ir dormir de conchinha e receber o bom-dia num beijo.
Sempre que como batata chilli-cheddar, cocada ou sambo com Fernanda Porto... sempre que eu aprendo, conheço ou provo algo bom e novo é você, a quem, primeiro, eu queria contar, mostrar, levar.
Ainda é teu, meu primeiro e último pensamento do dia.
Muitas vezes, o que eu quero é tão simples como passear de mãos dadas no shopping, dividir uma pizza de calabresa, criar outro labrador. Ou planejar viagens, escolher os nomes dos filhos e a cor dos móveis (o sofá, amarelo). Vira e mexe, me pego rindo com o uivo, a dancinha... são tantas, tantas lembranças.
Outras, desejo esquecer.
Mas creio impossível (ao menos por enquanto, será?). Afinal, seria mais fácil não ter vivido. E vivi tudo tão intensamente!
Como, meu Deus, apagar o cheiro do abraço, o gosto da sintonia, a visão do beijo, o toque da palavra em silêncio, o som do sonho?? Sou só uma menina.
Era você quando eu parti em busca do meu sonho, quando eu festejei a vitória, quando ‘ele’ se foi.
Era você quando alegre, triste, cansada e com TPM. Sou mulher e acredito no bom.
Como não sonhar??
Ainda te amo.