
E quando menos esperou, se surpreendeu em encontrar aquelas mãos envoltas nas suas. A suavidade do toque não escondia os calos de antes. O coração desembalado tentava frear a carreira ladeira abaixo, porque já sabia aonde aquela ‘banguela’ iria parar. Se é que iria. O calor que vinha da boca vermelha corava o rosto com as suas intenções. Sentiu vontade de afastá-la e impedir que cumprisse o seu destino. Afinal, não acreditava mais em sonhos. Mas ali, entrelaçada por braços e sussurros conhecidos, já não sabia fazer escolhas. (Escolher viver é não medir conseqüências?) Tentou gritar, mas não conseguiu, mesmo porque ninguém ouviria. Rapidamente, o rosto inclinou-se em direção ao seu, as emoções se multiplicaram em razão maior que as dúvidas. O calor. A boca. O grito. De súbito, abriu os olhos. O relógio marcava 7 horas da matina. Ainda com hálito de paixão, arrumou os cabelos e o vestido e saiu para mais um dia de vida real.