domingo, 21 de fevereiro de 2010

O pulo


Ele pegou a minha mão e disse para eu pular. Pronto. Era só o “empurrão” que eu precisava para me atirar dali. A segurança de que não estaria sozinha e poderia compartilhar o impacto da queda, bastava para cessar o receio da ponta do pé. Não era a palavra, mas como foi dita, entre um olhar acenado com a cabeça e a mão segurando suave e firme a minha. Pula! E eu me joguei. E aproveitei cada segundo daquela sensação de ladeira de Marpas, enquanto o coração subia a boca e o vento descompunha o cabelo e o vestido. Uma eternidade em dois, três segundos. Intenso e leve como deve ser. As nuvens ainda estavam lá quando pisei o chão.
Há atitudes que são assim, dispensam pára-quedas.