sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Do chão o céu é bem maior


Tinha alcançado o cume do morro e de lá contemplava a imensidão. A vontade de mergulhar pareceu inevitável. A idéia da queda parecia libertadora aquela altura - cerca de 30 ou 40 metros acima do nível do mar. A vontade de viver era tamanha que se jogar era sinônimo de experimento e nada tinha com o desespero suicida. Os dois ou três segundos de vôo guardava uma liberdade eterna. Queria sentir tudo, depressa, se propagando na velocidade do peso, com a infinita ganância de chão. Com uma ponta de inveja dos agulhões e garças que se atiravam do alto para flechar a água em busca de peixe, se estendeu e debulhou a areia fina. Do chão o céu é bem maior.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Resolveu que iria parar o tempo. Ou ao menos deixar que ele corresse seu curso sem mais questionar. Interrogações como ‘quando?’ não fariam mais parte de sua vidinha. Afrouxar o fecho dourado e colocar o relógio na caixinha vermelha foi só uma das decisões. O pulso seria espaço para continhas coloridas e pedidos em três nós ao senhor do Bonfim. Esqueceria a idade (favor para qualquer mulher). Adotaria aquela que melhor se adequasse ao riso do dia. Inversamente proporcional a largura da alegria no canto da boca. Não importava se foi perdido, o tempo teria outro significado. Como o açúcar que forjado em mil giros torna-se algodão cor de rosa - ou sem cor. Teria a graça que a fome exigisse.