sábado, 28 de novembro de 2009

Rosas


Eu escolhi as rosas.
E as quero. Muitas. Em todas as cores.
Por que são vibrantes, amarelas, pintadas.
Grandes, miúdas, românticas, vivas.
Por que deixam tudo mais leve e perfumado.
Apesar dos espinhos, do tempo curto, das folhas secas, água amarelada.

Por que encantam a vida.
E a morte também.
Por que representam celebração.
Ao amor.
À beleza.
À vida.
Pequenas delicadezas roubadas pela dureza da vida.

Por que é poesia.
Por que é música.
Por que é poeta.
Por que, Rosa.

sábado, 21 de novembro de 2009

De pernas cruzadas



Sentou-se e cruzou as pernas.

O salto fino dava idéia de seu estado: um pé no chão, outro pronto para voar, para quaisquer das direções que o bico apontasse. Era uma questão de movimento. Ou de chamar a atenção. A verdade é que tentava disfarçar intenções, enquanto o café levantava com o vapor o pensamento. Quente e forte, como o líquido preto. Aquela altura, era mais fácil silenciar o desejo em pequenos goles. Como quem espanta o sono para adentrar a madrugada.

Buscava olhares. Insinuava discrição. Gritava por mais.

Trocou de perna e o movimento logo foi percebido. Mas, somente o garçom veio oferecer-lhe outra xícara. A oferta era pouco, mas aceitou. Aquela altura, era difícil engolir todas as vozes, vontades e inquietações contidas no copo, no corpo. O coração, cansado de enganar-se, procurava novas promessas, ditas sussurradas, devagar, com aquela sinceridade que aponta o caminho. A porta para sair. Ou entrar.

Mas o sabor daquele canto de sala parecia acomodar, em pequenas almofadas, os ideais de uma vida.

E ficou ali, sentada.
Perpassando pernas, ajustando a saia, adequando sentimentos.
Estacionada.
A pensar com seus sapatos. Ganhando tempo. Perdendo sonhos. Enquanto o café esfriava sem lhe trazer a boca o calor do amargo. Do doce. Do gosto.