quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Cai.

Gota a gota.

Como quem se derrama.

Se entrega por inteira, se deixa, se dar.

Se enche e transborda.

Pinga.

A lágrima.

Outra e mais outra.

Curvada como pétala que cai.

Vermelha.

Era rosa.

Como quem, se der, ama.

Chora alma, chora sangue.

Se desfaz.

Gota a gota.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Aprende


"Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel."

(William Shakespeare )

Um dia de espera e saudade
Uma novidade para partilhar
Um plano para sonhar
Um sonho para planejar

Tudo isso atropelado por essa intolerante desconfiança.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sem castelinhos de areia


Eu não sabia se era medo, precaução, nem o mais certo a fazer, mas na dúvida resolvi me jogar. Sim, me lancei novamente sem saber no que vai dar. Porque eu não sei viver pela metade. Nem somente avaliar, enquanto os dias passam. Aliás, é pouco o que eu realmente sei nesta vida. Sou assim. Sou a favor do inteiro, do muito, cheinho pela boca e com a torneira aberta para não esgotar. Afinal, apesar de sonhadora, faz-de-conta nunca foi meu joguinho favorito. Talvez por cinco segundos ou o tempo de lavar os quase, os se, os como seria e colocar tudo para quarar. Talvez a brancura deixe tudo mais claro. Será?

Sentar de costas para as ondas e construir castelinhos, com torres, soldadinhos e princesas, cercado por lagos, e ficar ali, formando uma barreira por temer qualquer marolinha transformar em ruína a fortaleza cinza? Nãm. Sem graaaça essa brincadeira!

Prefiro mesmo é me molhar, mergulhar, pegar jacaré. Sentir o sal na boca, a areia na pele, a água morna jogando o cabelo nos olhos, enquanto o sol colore tudo. Levar caldo e descobrir que a onda passa e a sensação de afogamento vai embora também, mas o mar continua ali, convidando a diversão. Tão contido e agitado como a onda que passou ainda há pouco. E nesse vai-e-vem parece se renovar, se encher e esvaziar, sem deixar de ser mar. E vá saber se não é a mesma onda, aquela de agora há pouco, a do caldo.
Será?
Como saber? Justo eu que realmente pouco sei da vida!

Mas, na dúvida, decidi mergulhar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

De papel, cores e incertezas


A caneta deitada sob o papel esperava a inspiração, que cismou em não vir. Emoções a serem decodificadas, angústias para se traduzir, interrogações em busca de respostas, quaisquer letras que preenchessem em azul o vazio, o silêncio, o branco. As gotas de tinta ansiavam tanto quanto as mãos por sentimentos outros, que movimentassem a ponta fina e rabiscassem saídas, conclusões, começo. Mas nada se movia. A não ser pelo vento indiferente arrastando a folha nua pela janela. A luz rebatida destacava as cores daquela manhã de domingo. Contrastando com o céu, dava conta que a vida acontece lá fora, sem esperar por registros ou certezas.