
Eu não sabia se era medo, precaução, nem o mais certo a fazer, mas na dúvida resolvi me jogar. Sim, me lancei novamente sem saber no que vai dar. Porque eu não sei viver pela metade. Nem somente avaliar, enquanto os dias passam. Aliás, é pouco o que eu realmente sei nesta vida. Sou assim. Sou a favor do inteiro, do muito, cheinho pela boca e com a torneira aberta para não esgotar. Afinal, apesar de sonhadora, faz-de-conta nunca foi meu joguinho favorito. Talvez por cinco segundos ou o tempo de lavar os quase, os se, os como seria e colocar tudo para quarar. Talvez a brancura deixe tudo mais claro. Será?
Sentar de costas para as ondas e construir castelinhos, com torres, soldadinhos e princesas, cercado por lagos, e ficar ali, formando uma barreira por temer qualquer marolinha transformar em ruína a fortaleza cinza? Nãm. Sem graaaça essa brincadeira!
Prefiro mesmo é me molhar, mergulhar, pegar jacaré. Sentir o sal na boca, a areia na pele, a água morna jogando o cabelo nos olhos, enquanto o sol colore tudo. Levar caldo e descobrir que a onda passa e a sensação de afogamento vai embora também, mas o mar continua ali, convidando a diversão. Tão contido e agitado como a onda que passou ainda há pouco. E nesse vai-e-vem parece se renovar, se encher e esvaziar, sem deixar de ser mar. E vá saber se não é a mesma onda, aquela de agora há pouco, a do caldo.
Será?
Como saber? Justo eu que realmente pouco sei da vida!
Mas, na dúvida, decidi mergulhar.